“Mundo Português” sobre a Cátedra Eduardo Lourenço
“Mundo Português” sobre a Cátedra Eduardo Lourenço
“As cátedras asseguram no estrangeiro a investigação e o ensino do português como língua de Ciência” é o título do artigo publicado na revista da comunidade portuguesa no mundo em 19 de Outubro de 2019 com uma ampla descrição das atividade da CEL.
Cátedra Eduardo Lourenço: um “unicum extraordinário”
O objetivo de Roberto Vecchi e Margarida Calafate Ribeiro era a criação, na Universidade de Bolonha, Itália, de uma cátedra voltada para a investigação no campo da teoria da cultura e dos estudos pós coloniais, para além do apoio às atividades de ensino da língua portuguesa naquela universidade. O projeto concretizou-se em 2007, com a inauguração da Cátedra Eduardo Lourenço, por ocasião da entrega do doutoramento honoris causa em Literaturas Europeias pela Universidade de Bolonha, ao professor, filósofo e ensaista Eduardo Lourenço.
“A doutora Margarida Calafate Ribeiro já colaborava comigo e com o Departamento di Lingue Letterature e Culture Moderne (LILEC) da Universidade de Bolonha e já os nossos projetos estavam focados nos pós-colonialismo e na articulação do pensamento de Eduardo Lourenço como matriz do que começamos a chamar de ‘pensamento português’”, explica Roberto Vecchi, diretor da cátedra, juntamente com Margarida Calafate.
“De modo geral, a cátedra é uma plataforma científica que envolve muitos colegas portugueses que nela encontram uma audiência académica, como a dos nossos alunos em Bolonha, e podem participar de diferentes projetos de investigação”, explica Roberto Vecchi, esclarecendo ainda que foi criada “com uma forte inter-relação com Portugal, em particular o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra” onde atua Margarida Calafate Ribeiro como investigadora”. A cátedra tem mantido um perfil predominantemente de investigação avançada e formação pós graduada – tanto presencial como on line em formato e-learning pelo Centro Virtual Camões. Estudos pós coloniais, Atlântico-Sul, Eduardo Lourenço, Pensamento português, Pós-memória e filhos do império, Luandino Vieira, são os grandes tópicos dos projetos de investigação e de ensino.
Mas o perfil é ainda mais alargado e está vinculado, por exemplo, à edição científica de ensaios fundamentais em Itália e em Portugal, à organização de textos dirigido para a formação universitária, aos estudos da memória em particular, “sobretudo traumática e relacionada com a experiência do colonialismo”, exemplifica o também professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira e de História da Cultura Portuguesa na Universidade de Bolonha.
Lançamento de obras inéditas
Ao longo de 12 anos de atividades da Cátedra Eduardo Lourenço, foram inúmeras as atividades desenvolvidas. Os projetos de investigação deram origem à edição de um livro por ano, alimentando o debate nacional e internacional em torno dos temas a que se dedica. Tornou disponíveis em Itália, autores clássicos do pensamento, como Eduardo Lourenço, Hélder Macedo e Boaventura de Sousa Santos, e da literatura lusófona, como Eça de Queiróz, Pepetela e Lima Barreto, entre outros. Também em Portugal foram lançadas obras como ‘Memória poética da guerra colonial’ (2011), organizada por Roberto Vecchi e Margarida Calafate, que reúne um amplo arquivo da poesia da guerra colonial. Em 2014 foi publicado ‘Do colonialismo como nosso impensado’, um volume de escritos dispersos ou inéditos de Eduardo Lourenço e um ano depois a cátedra editou ‘Papéis da prisão’, volume de cadernos inéditos da prisão e do campo de Tarrafal ,do escritor luso-angolano Luandino Vieira.
Sobre a guerra colonial, a Cátedra Eduardo Lourenço foi responsável por um grande arquivo da memória poética e pelo projeto ‘Os filhos da guerra colonial: pós memória e representações’ (2007-2011) que agora se desdobrou no grande projeto europeu ‘Memoirs: filhos do império e pós-memórias europeias’ em andamento, ambos dirigidos por Margarida Calafate.
Roberto Vecchi destaca ainda a realização de cursos plurianuais de e-learning, com várias edições ministradas pela plataforma do Centro Virtual Camões, e o contributo da cátedra ao projeto ‘Patrimónios de Influências Portuguesa’, em colaboração com os arquitetos da Universidade de Coimbra. Uma novidade, em parceria com a Cátedra Lobo Antunes (da Universidade de Milão) coordenada por Vincenzo Russo, é a elaboração de duas novas coleções de volumes ‘Pensamento atlântico’ e da coleção ‘Tese e antítese’ que publica os trabalhos de jovens investigadores. A Cátedra Eduardo Lourenço está ainda renovar a oferta on line, apresentada como “uma ferramenta importante” para a sua afirmação internacional. “A Cátedra, construída graças ao apoio fundamental do Camões, tem permitido caracterizar de maneira específica a atividade científica e formativa da área de estudos portugueses da Universidade de Bolonha e torna um determinado âmbito académico num unicum extraordinário”, destaca Roberto Vecchi.
