O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian recebei no dia 29 de março um evento de apresentação do arquivo digital dos Papéis da Prisão de Luandino Vieira, que contou com a participação de José Luandino Vieira, Margarida Calafate Ribeiro, Roberto Vecchi, Nuno Simão Gonçalves e Sandra Inês Cruz.

O processo de escrita de Papéis da Prisão tem como termos cronológicos e fronteiras espaciais a entrada no Pavilhão Prisional da PIDE em São Paulo, Luanda (1961) e a saída do Tarrafal (1972). Em centenas de folhas manuscritas o autor anotou a sua visão do cárcere como um observatório excecional da variedade da nação angolana, manifestou os seus projetos políticos e literários, evidenciou o projeto comunitário de uma Angola em resistência coletiva e expressou as angústias e sonhos pessoais.

O acervo digital foi organizado e realizado por Margarida Calafate Ribeiro, Roberto Vecchi, Mónica V. Silva, Helena Rebelo e Nuno Simão Gonçalves, no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, com financiamento da Fundação Calouste Gulbenkian, e é agora disponibilizado ao público.

Em 2015 este acervo foi publicado sob o título Papéis da Prisão: apontamentos, diário, correspondência (1962-1971) (Leya-Caminho). Em 2022, saiu a primeira tradução dos Papéis da Prisão, de José Luandino Vieira em italiano, sob o título Scritti dal Carcere – Quaderni di un Anticolonialista Angolano, pela editora Meltemi. A versão traduzida é mais curta que o original. A tradução é de Elisa Scaraggi, com uma introdução de Margarida Calafate Ribeiro e Roberto Vecchi. O financiamento é da DGLAB/ Cultura e Camões, IP – Portugal e ACEL e da Cátedra Eduardo Lourenço, Alma Mater Studiorium Università di Bologna. Esta tradução está integrada num projeto mais vasto que inclui o espanhol, através da Cátedra Fernando Pessoa (Universidade de Los Andes) e o inglês, através da Cátedra D. João II (Universidade de Oxford).

Mais informações sobre o projeto no site https://luandino.ces.uc.pt/.