{"id":412,"date":"2017-04-04T18:08:18","date_gmt":"2017-04-04T16:08:18","guid":{"rendered":"http:\/\/doutoramentoestudosliterarios.webs.uvigo.es\/?p=412"},"modified":"2017-04-04T18:08:18","modified_gmt":"2017-04-04T16:08:18","slug":"coloquio-internacional-cordel-brasileiro-poesia-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wnsites.xyz\/tesesv2\/coloquio-internacional-cordel-brasileiro-poesia-politica\/","title":{"rendered":"Col\u00f3quio Internacional Cordel Brasileiro: Poesia Pol\u00edtica?"},"content":{"rendered":"<p>Na quinta-feira, dia 27 de abril de 2017, no &#8216;Sal\u00f3n de Graos&#8217; da Faculdade de Filologia e Tradu\u00e7\u00e3o da UVigo, realizar-se-\u00e1 um col\u00f3quio internacional sobre o tema <b>Cordel Brasileiro: Poesia Pol\u00edtica?<\/b>, organizado pela CJS e o projeto <a class=\"\" href=\"http:\/\/catedrasaramago.webs.uvigo.es\/pt\/projetos\/poesia-atual-e-politica-47\/\">&#8220;Poesia Atual e Pol\u00edtica&#8221;<\/a>, com participa\u00e7\u00e3o do Programa de Doutoramento Interuniversit\u00e1rio em Estudos Liter\u00e1rios.<br \/>\nA entrada \u00e9 livre.<br \/>\nO col\u00f3quio ser\u00e1 acompanhado por uma exposi\u00e7\u00e3o de literatura de cordel na Biblioteca da FFT.<\/p>\n<p>Estudantes do doutoramento (e outras\/os assistentes) que assinem a lista de participantes ir\u00e3o receber um certificado.<\/p>\n<p><b>Programa<\/b><\/p>\n<p>11h00 | Confer\u00eancia: <b>A peleja brasileira<\/b> <b><\/p>\n<p>Carlos Nogueira<\/b> (Universidade de Vigo \u2013 C\u00e1tedra Jos\u00e9 Saramago) <b><br \/>\n<\/b><br \/>\nResumo:<br \/>\nA peleja brasileira \u00e9 um poema oral essencialmente dial\u00f3gico em que interv\u00eam duas vozes individuais que se cruzam numa altern\u00e2ncia de for\u00e7as psicol\u00f3gicas, intelectuais e criativas. Mas a peleja \u00e9 tamb\u00e9m, muitas vezes, poesia escrita, umas vezes completamente fictiva, outras vezes reconstru\u00e7\u00e3o de encontros c\u00e9lebres entre cantadores que ficaram na mem\u00f3ria coletiva. Esta poesia escrita, que faz parte da chamada literatura de cordel, \u00e9 a imagem ou a proje\u00e7\u00e3o de uma obra oral, atrav\u00e9s da qual os poetas aparecem como algu\u00e9m que tem, como os cantadores cuja voz alegadamente reproduzem ou a quem d\u00e3o voz, o dom do pensamento e da palavra, a capacidade de usar e recriar a l\u00edngua e a raz\u00e3o. Comunica\u00e7\u00e3o e arte, raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o, a peleja viabiliza a express\u00e3o do que o c\u00f3digo sociopol\u00edtico, muitas vezes, n\u00e3o permite. Como veremos, tudo, desde o poder social e individual, a religi\u00e3o, o g\u00e9nero e a masculinidade, a ra\u00e7a e a cor da pele, \u00e9 objeto de tratamento na peleja de cordel. Privilegiaremos obras de \u00e9pocas e configura\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas diferentes, porque a peleja \u00e9 o reflexo da forma\u00e7\u00e3o e da evolu\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e civilizacional e do Brasil; reflexo mas tamb\u00e9m condi\u00e7\u00e3o dessa forma\u00e7\u00e3o e dessa evolu\u00e7\u00e3o, lugar de discuss\u00e3o de problemas morais, sociais e pol\u00edticos de todo o tipo, espa\u00e7o de perpetua\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o de ideias e ideais sobre o ser humano e a na\u00e7\u00e3o brasileira (os agentes do poder familiar e pol\u00edtico, o lugar da cor da pele e do g\u00e9nero na organiza\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o desse poder).<\/p>\n<p>11h30\u00a0 | Confer\u00eancia: <b>Oralidade e mem\u00f3ria na literatura de cordel<\/b> <b><\/p>\n<p>Gisa Carvalho <\/b>(Universidade Federal de Minas Gerais)<br \/>\n<b><br \/>\n<\/b>Resumo:<br \/>\nComo lugar de produ\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria, o cordel nos permite pensar sobre formas diversas de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, e, por possuir uma dimens\u00e3o performativa, social e pol\u00edtica, constitui uma forma de resist\u00eancia \u00e0 mem\u00f3ria produzida hegemonicamente. O cordel \u00e9 um destes lugares em que \u00e9 poss\u00edvel questionar formas de domina\u00e7\u00e3o, inclusive formas de domina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Seus modos de produ\u00e7\u00e3o, suas narrativas diferenciadas que s\u00e3o comumente renegadas, desconsideradas como formas de conhecimento leg\u00edtimo t\u00eam produzido historicamente narrativas que permitem compreender realidades a partir de um lugar que normalmente n\u00e3o \u00e9 contemplado pela historiografia oficial, ou seja, o lugar do ordin\u00e1rio, do cotidiano, dos indiv\u00edduos que experienciam os acontecimentos, que t\u00eam suas vidas afetadas por eles.<\/p>\n<p>12h00 | Confer\u00eancia: <b>Narrativas do nordeste brasileiro Leandro Gomes de Barros e Ariano Suassuna <\/b> <b><\/p>\n<p>Rafaella Cristina Alves Teot\u00f4nio <\/b>(Universidade Federal de Pernambuco)<\/p>\n<p>Resumo:<br \/>\nSendo um dos idealizadores do Movimento Armorial nos anos de 1970 no Brasil, Ariano Suassuna buscou elevar a um patamar erudito a cultura popular nordestina. Desse modo, imprimiu em suas obras uma intensa pesquisa sobre a cultura do nordeste brasileiro que buscava resgatar e ressignificar os la\u00e7os com a cultura ib\u00e9rica, a oralidade e as formas populares. Dentre os elementos que influenciaram a obra de Ariano Suassuna, o cordel estabeleceu um contato produtivo com as hist\u00f3rias contadas pelas feiras, pra\u00e7as e a literatura escrita, o teatro burgu\u00eas e o teatro de mamulengos, assim como outras rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre a arte dita popular e a arte erudita. Com o intuito de resgatar as ra\u00edzes perdidas da cultura popular nordestina, Suassuna criou personagens de forte apelo popular, tendo como inspira\u00e7\u00e3o hist\u00f3rias e personagens de autores como o cordelista Leandro Gomes de Barros, a quem o autor buscou no Folheto <i>O enterro do cachorro<\/i> uma das hist\u00f3rias para compor a pe\u00e7a <i>O auto da compadecida<\/i>. Ao beber nas fontes da tradi\u00e7\u00e3o popular do nordeste, a quem Suassuna costumava chamar de Romanceiro, comp\u00f4s hist\u00f3rias e resgatou temas que est\u00e3o enraizados na cultura do nordeste brasileiro, trazendo a cultura popular para a cena liter\u00e1ria de prest\u00edgio, derrubando as fronteiras entre cultura do povo e cultura erudita, ao identificar tra\u00e7os complexos em formas como o cordel. Nesse sentido, a efervesc\u00eancia da obra de Ariano Suassuna e do Movimento Armorial proporcionou um debate pol\u00edtico ao campo da arte brasileira, em contraponto ao que se fazia no eixo Sul-Sudeste do Brasil. Tratava-se de uma revolu\u00e7\u00e3o na concep\u00e7\u00e3o de cultura, elevando as manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas das classes mais baixas \u00e0 visibilidade dos c\u00e2nones, algo poss\u00edvel de compreender a partir do debate do autor russo Mikhail Bakhtin em <i>A cultura popular na Idade M\u00e9dia e no Renascimento<\/i>. Busca-se, portanto, propor um di\u00e1logo entre Leandro Gomes de Barros, poeta e cordelista paraibano, expoente da tradi\u00e7\u00e3o cordelista, e o autor Ariano Suassuna, identificando as apropria\u00e7\u00f5es e os resgates propostos pela obra do autor recifense, em contato com a tradi\u00e7\u00e3o dos folhetos de cordel.<\/p>\n<p>12:30 | Mesa-redonda: <b>\u201cToda a poesia \u00e9 pol\u00edtica (Yehuda Amichai, poeta israelita)\u201d. O cordel brasileiro \u00e9 pol\u00edtico?<\/b> <b><\/p>\n<p>Participantes:<\/b> M\u00f4nica Heloane (Universidade de Vigo), Gisa Carvalho (Universidade Federal de Minas Gerais) e Rafaella Teot\u00f4nio (Universidade Federal de Pernambuco). <b><\/p>\n<p>Moderador:<\/b> Carlos Nogueira (Universidade de Vigo \u2013 C\u00e1tedra Internacional Jos\u00e9 Saramago).<br \/>\n<b><\/p>\n<p><span style=\"font-size: xx-small;\">Notas curriculares<\/span><\/b><span style=\"font-size: xx-small;\"> <b><\/p>\n<p>Carlos Nogueira<\/b> doutorou-se em Literatura Portuguesa na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Rege, com Burghard Baltrusch, a C\u00e1tedra Jos\u00e9 Saramago da Universidade de Vigo (Galiza, Espanha). Tem sido Investigador e Professor Convidado em universidades europeias e da Am\u00e9rica Latina. Publicou mais de uma dezena de livros em editoras como a Imprensa Nacional \u2013 Casa da Moeda, a Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian e as Edi\u00e7\u00f5es Lusit\u00e2nia. \u00c9 cronista e autor de obras dirigidas \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 juventude (publicadas em Portugal, no Brasil, no M\u00e9xico e na Col\u00f4mbia). Recebeu o <i>Pr\u00e9mio de Internacionaliza\u00e7\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica da FCSH (Universidade Nova de Lisboa) 2011<\/i>, <i>2012<\/i>, <i>2013 <\/i>e <i>2014<\/i>, atribu\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o do n\u00famero de artigos publicados em revistas indexadas na base de dados ISI Web of Knowledge, e o <i>Pr\u00e9mio Montepio de Ensaio 2012, 2013 <\/i>e <i>2014<\/i>. <b><\/p>\n<p>Gislene Carvalho <\/b>\u00e9 doutoranda em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela Universidade Federal de Minas Gerais. Realizando Doutorado Sandu\u00edche em Estudos Liter\u00e1rios com est\u00e1gio na Universidade de Vigo (Galiza, Espanha), na C\u00e1tedra Internacional Jos\u00e9 Saramago. Mestre em Estudos da M\u00eddia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com pesquisa na linha de Estudos da M\u00eddia e Produ\u00e7\u00e3o de Sentido e projeto voltado para Folhetos de Cordel. Foi professora do curso se Jornalismo da Universidade Federal do Cear\u00e1. Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social com habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo (UFC). \u00c9 pesquisadora na \u00e1rea de cultura com \u00eanfase nos folhetos de cordel. Membro do grupo de pesquisa Tramas Comunicacionais.<\/p>\n<p><b>Rafaella Teot\u00f4nio <\/b>\u00e9<b> <\/b>Mestre em Literatura e Interculturalidade e\u00a0doutoranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente, dedica-se a um est\u00e1gio de doutorado na Universidade de Vigo, onde elabora uma tese sobre os romances de Valter Hugo M\u00e3e. Suas pesquisas direcionam-se, principalmente,\u00a0ao estudo das Literaturas em L\u00edngua Portuguesa, as quais s\u00e3o temas da maioria de suas produ\u00e7\u00f5es. Se interessa tamb\u00e9m por Literatura comparada, literaturas contempor\u00e2neas, Teoria Liter\u00e1ria, literaturas africanas, rela\u00e7\u00f5es entre g\u00eanero e literatura e literaturas de minorias ou representa\u00e7\u00f5es de minorias pela literatura. <b><\/p>\n<p>M\u00f4nica Heloane Carvalho de Sant\u00b4Anna<\/b> \u00e9 doutora em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e mestre em Estudos Liter\u00e1rios. A sua \u00e1rea de pesquisa s\u00e3o os Estudos de g\u00eanero e corpo com foco na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Maria Teresa Horta, sobre a qual desenvolveu a tese de doutoramento. Atualmente \u00e9 Leitora de Portugu\u00eas, pela segunda vez, na Universidade de Vigo. Tamb\u00e9m foi Leitora na Universidade de Santiago de Compostela e Professora na UNED em Pontevedra. Trabalha h\u00e1 oito anos com a forma\u00e7\u00e3o de leitores em Bibliotecas P\u00fablicas da Galiza, literaturas lus\u00f3fonas. No Brasil desenvolveu trabalhos sobre a Literatura do Esp\u00edrito Santo, objeto de estudo da sua disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, e sobre literatura infantil. Tamb\u00e9m ministrou cursos para professores sobre a forma\u00e7\u00e3o de leitores e sobre o ensino de l\u00edngua portuguesa.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na quinta-feira, dia 27 de abril de 2017, no &#8216;Sal\u00f3n de Graos&#8217; da Faculdade de Filologia e Tradu\u00e7\u00e3o da UVigo, realizar-se-\u00e1 um col\u00f3quio internacional sobre o tema Cordel Brasileiro: Poesia Pol\u00edtica?, organizado pela CJS e o projeto &#8220;Poesia Atual e Pol\u00edtica&#8221;, com participa\u00e7\u00e3o do Programa de Doutoramento Interuniversit\u00e1rio em Estudos Liter\u00e1rios. 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